28 de dez. de 2011

Anjos da Noite


Ah, o amor. Ódio também. São apenas irmãos que às vezes se reencontram. Lembrem-se deles. Serão importantes nessa história:
      A vida tornava-se vazia. Mas ela ainda achava que havia esperanças. Aguardava que algo a liberta-se daquela 'vida'. E além de sua vista, algum ser a observava. E odiava vê-la daquele jeito. Fez algo de que se arrependeu amargamente em um futuro não tão distante. Voltando a nossa pequena mortal. Algo a dizia para não dormir. Sentia que tinha que esperar e em um pensamento inútil esperou. A noite ia chegando a seu fim, a Lua perdendo o brilho. Mas algo parecia brilhar mais que a própria Lua, era um Anjo? Não podia ser. Aquele ser Magnifico, Superior, Sagrado, estava a olhando. 'Não, não pode ser...'. Ele se apresentou. Sua voz era como a mais bela canção. Ela estava paralisada com aquela visão, ele não a julgou por isso. Mas sentiu algo diferente nela, um sentimento novo, não ligou. Levou-a para dentro, deitou-a na cama e antes que ela dormisse profundamente fez votos de fidelidade, felicidade e amor. Ela sorriu e dormiu, dormiu com o sorriso no rosto. O ser achou que era de aprovação e foi dormir. A bela dama ainda dormia, ele resolveu deixa-la dormir mais um pouco. A mortal acordou. Olhou em volta. 'Foi apenas um sonho', e foi em direção a cozinha. Espantou-se ao ver aquele ser que ela imaginara ser apenas obra de seus sonhos. Ele olho-a dos pés a cabeça. De certo modo, admirava os seres humanos, mas ainda não os entendia. Esperava que a convivência com aquela Dama o fizesse entender.
      Por anos ele a amou, mas ela ainda tinha aquele sentimento estranho, que ele não sabia o que significava. Ele achara no início que era por ele não ser um humano 'normal', ainda não a julgava. Mas a frieza dela, o incomodava. 'Ela é assim por minha causa? O que é isso emanando dela? Desejo? Ódio talvez.'. Mas não era isso. Nada disso. Ela se gabava, adorava que ele a amasse sem ela dar nada em troca. Ela a beijava, mas não com o desejo. Ela o abraçava, mas não com sentimento. Ela o beijava para que ele não parasse de ama-lá. Ela o abraçava para que ele não a achasse fria. Mas após dois anos, ele descobriu o que era aquele 'sentimento novo', era cobiça, ganância. Não era amor, muito menos paixão. Isso o despertou. Isso fez com que ele a olhasse de modo estranho, 'O que foi, querido?'. 'Nada'. Ela estranhou, ele não era de poucas palavras, algo tinha. Sentiu-se culpada. Mudou a atitude nos dias seguintes. Aprendeu a amá-lo, prezou muito mais a presença dele. O beijava com desejo e malícia. Os abraços levavam a outros beijos. Mas isso não se seguiu por muito tempo. Pois quem perdera o desejo, fora ele. O ser a amou, ela o ignorou. Isso pareceu cortá-lo por dentro. 'Não só pareceu. Como o fez'. 'O que você disse querido?', ela estranhou, pois a voz dele que era enigmático, estava sombria. 'Eu apenas pensei alto, não ligue.'. Não ligar? Agora que ela o estava estranhando totalmente. Ele não mais passava as noites junto dela. Ela dormia sozinha e acordava sozinha. Apenas em meio a noite ela sentia o corpo de seu parceiro, só que não estava mais quente e acolhedor. Estava frio e ameaçador.


  “O que acontecera a ele? Será que fiz algo? Logo passará... eu espero”. A culpa estava dando pequenas pontadas em sua mente, mas as ignorou. Em outra semana, o  Ser não voltara para casa na hora que geralmente chegava. Voltou para a casa da humana apenas na tarde do dia seguinte. Ao entrar fora bombardeado com perguntas ciumentas, odiosas de se ouvir. Perguntas inuteis. Dolorosas para o coração daquele ser. Ele não aguentou. Pegou-a pelos braços e jogou-a na parede. A humana caiu no chão em posição fetal. Ele só sentia ódio. Ódio daquela que o desprezou. Daquela que ele amou. Daquela pela qual abidcou a Santidade para ficar junto a ela. E falou, demonstrando raiva, mas calmo. “Se fizer mais uma pergunta... não sei o que eu vou fazer! Eu apenas fui dar uma volta!! Não sai e nem deu bola a mais nenhuma cretina desse mundo imundo!!! Agora deu para se preocupar comigo? Pois eu dispenso sua preocupação!” . E saiu. A humana se via no chão. Chorando pela rejeição. “Ele não me ama mais!” . Agora a c ulpa tomara conta de sua mente. Tomou conta de cada pensamento. Não só culpa como o Amor. Amor incondicional que começara a sentir por aquele ser. Como pudera ela ignorar tanto os sentimento de um ser Sagrado? E o pior. Ela o ignorou e se aproveitou. Se gabava com suas amigas e familiares que diziam que ela não seria ninguém, que morreria sozinha. O  Anjo demorou a voltar para casa. Uma semana praticamente. Quando voltou ela estava dormindo no sofá. Provavelmente o aguardando. Ele sentiu o sentimento que mudarara. Não mais era ganância. Era culpa e amor. Mas não. Agora era tarde de mais. Muito tarde... Ele a culpava por fazê-lo frio, sem sentimentos. Ele a culpava por perder seu lugar no Paráiso. Por fazer ele acreditar que podia ser feliz e acabar com aquela sensação. Esmagá-la. Destrui-la. Dias se seguiram com poucas palavras proferidas. Apenas comprimentos e palavras soltas. Ela cortou o silêncio entre eles. “Você me ama?” . O Anjo olhou para o chão. Se fosse anos atrás responderia automáticamente.  Mas agora ele hesitou. O que fez com que a Dama se arrependesse de perguntar aquilo, sentia que a resposta não era fácil para ele. Era difícil e dolorosa. Ele a olhou com desprezo. Olhou bem no fundo dos olhos dela. Procurou atingir a Alma da garota com os olhos. Conseguiu. O olhar de desprezo. Dor. Coração estraçalhado. Ela estremeceu. “Não me olhe assim!!! Não tive culpa!! Fui apenas tola!! Era jovem e tola!! Eu o amo!! Por favor... não me... não tive... culpa...” . Ele a observou sorrindo, sem tocá-la. Sem consolá-la. Sem falar. Chorava descontroladamente. O Anjo tentou encorajá-la a algo. Não era para resistir. “Pegue isto. A dor irá parar. Eu realmente não entendo vocês humanos. Só se interessou por mim quando eu comecei a me afastar, não é?” Ele mostrava a faca a ela. A Dama estava desesperada. Desesperada por perdão. Mas mesmo assim não queria que a culpa fosse jogada nela. Não. Não! “Quer que eu morra? Pois então me mate! Pois a culpa não é só minha! Se você não mudasse nós ai....”. O Anjo começou a falar. Falava calmamente apenas aumentando o tom em algumas palavras: “Como assim se eu não mudasse?! Quem me mudou foi VOCÊ! A CULPA é SUA. Vê? Se VOCÊ não tivesse me transformado NISSO... ainda te amaria tolamente. Se VOCÊ mudasse. Nós ainda nos amaríamos, seria RECÍPROCO! A CULPA É SUA!! VOCÊ ME FEZ ASSIM!! Eu a amava! AMAVA! TODA... SUA!” . Ele ria. A humana não acreditava nas palavras do Anjo, e resolveu responder. “EU? COMO ASSIM EU? VOCÊ QUE EM UM DIA ME AMAVA NO OUTRO ME OLHAVA FRIAMENTE...!!” . E ela não mais teve tempo para pensar em continuar. O Anjo tomou uma sua forma antiga. As asas surgiram, mas negras. Os olhos brilhavam, mas não de felicidade. Queria vê-la morta. Queria se vingar. E foi o que fez. O Anjo pegou uma das mãos da Dama que jazia paralisada. E colocou a lâmina em suas mãos. Como se despertasse de um sonho ela olhou a faca em sua mão. Continuava a falar calmamente: “TUDO... culpa SUA!!!”. Disse a frase com se fosse uma melodia. Cantando. E riu. Ela não acreditava naquilo. Ele ia matá-la! E então olhou para a faca. Ela se matou. Cortara a jugular. O Anjo a envolveu com com suas asas negras. Envolvendo-a num abraço quente e cheio de desprezo enquanto dizia rindo e cantando uma melodia macabra: “Culpa sua, apenas sua...só sua!” E quando o sangue parou de jorrar. A Humana estava no chão já pálida. O Anjo saiu da casa. Rindo. Assustando todos daquele vilarejo medíocre. Um Anjo com Asas Negras manchadas de Sangue. Ele continuou até chegar ao centro da cidade. Abriu novamente as asas em contemplação a Lua. Fez uma reverência para a linda Lua. Que fez o sangue brilhar como se em aceitação do Sacrifício. E então ele as fechou. Gritou de modo calmo, controlado e alegre: “Eu era um Santo. Mas por CULPA DELA eu virei isso... culpa DELA... só DELA” . E voou. Deixou tudo para trás. Iria ao Submundo, só para ter o prazer de vê-la queimar. Queimar sem o perdão do Ser que podia poupá-la do Inferno.
 Esse conto era divido em duas partes, "dois capítulos", logo vi que era desnecessário e os uni. Apesar desse antigo estilo de escrita não me agradar mais, o manti.

26/12/2011 a 06/01/2012.

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